AOS INIMIGOS
Foi triunfal minha volta aos gramados, neste sábado, 4 de janeiro de 2014 - uma data histórica. Foi no campo do PSTC, em Cambé, o bairro mais populoso de Londrina, que desfilei minha arte perante um monte de japoneses boquiabertos. Enquanto eu ainda cortejava a bola, depois de tanto tempo afastado, perdíamos de 1 a 0. Quando passei a ocupar o meio-campo, minha posição predileta, o cenário mudou. Empatamos. O jogo permaneceu duro até o 3 a 3 - havíamos feito 3 a 1 graças a um desarme meu que resultou em gol. Depois, foi só festa: 6 ou 7 a 3, perdi a conta. Dei passes precisos, me posicionei corretamente, chamei o jogo, dei duas assistências que não viraram gols devido à ruindade latente de quem recebeu os lançamentos e, por fim, marquei meu retorno com um resultado positivo, uma goleada indiscutível, que me anima para os próximos embates. Que a Arena Vale do Rubi e o Estádio Municipal Cacá Scolari me aguardem.
AOS AMIGOS
Porra, foi foda. Tentei me segurar, como havia me aconselhado o Aureo Cinagawa, o cara que operou meu joelho em fevereiro. Mas entrei numas de acompanhar quase todas as jogadas. Enquanto tive pernas, acertei bons passes, mas depois o bicho foi pegando. Na hora agá, errei 3 ou 4 assistências fáceis, simplesmente porque telegrafei os passes - ser desarmado por um zagueiro japa é pracabá. Tentei alguns chutes, que só comprovaram que falta muito para chegar minimamente ao que eu era. Pareciam chutes de amador do Nepal. Tá tudo doendo. Os músculos em volta dos joelhos estão em frangalhos - no final da pelada, fui pro gol, temeroso de que a fadiga muscular me traísse e acabasse pisando em falso, torcendo o joelho, sei lá. Tá doendo do dorso do pé esquerdo até o pescoço. Vai demorar pra caralho para, pelo menos, voltar a brincar legal. Pelo menos não matei nenhuma na canela - o gramado, impecável, tem muito a ver com isso.
sábado, 4 de janeiro de 2014
quarta-feira, 1 de janeiro de 2014
O Orkut ainda existe! (Ou: as primeiras gargalhadas de 2014)
Juro por Deus que não sei por que; sei que devo ter clicado em alguma coisa porque, uma hora de soneca depois, voltei ao computador do meu irmão, ao lado da cama, e minha página no Orkut estava aberta em uma das abas do Google Chrome que eu estava navegando antes de cair no sono. A primeira surpresa, claro, foi "SIM, O ORKUT AINDA EXISTE". Imaginava, sinceramente,que o Face o havia engolido, o havia inutilizado, de tão ultrapassado ficou em relação ao seu colega de relacionamentos. Mas o bicho está lá, firme e forte, e operante, como pude constatar ao clicar nas minhas configurações e atestar que, de fato, estou com 48 anos de idade.
O Facebook deve ter nos deixado em torpor, tamanhas a velocidade e a intensidade com que mexeu nas nossas vidas. Foi a conclusão a que cheguei ao verificar que nem faz tanto tempo assim que fiz minha última atualização no orkut - dezembro de 2011, ou seja, somente dois aninhos atrás. O último comentário foi da Wal Batista, diagramadora d'O Diário, de Maringá, que me parabenizou pelo aniversário, e eu a chamei de minha funcionária mais alto astral, porque ela era mesmo, e porque ela havia me chamado de chefe, que fui mesmo.
Passeando pela relação dos amigos, dei as primeiras gargalhadas de 2014. A Telma Elorza - que ainda não tinha o "HO" como marca registrada - tem uma foto de menininha. Não sabia que era amigo orkutiano do prefeito Kireeff. Há amigo que não é mais meu amigo e hã amigo que limei da relação dos amigos do Face. Há velhos amigos em comum com o FB: Carla Sehn, Ivo Akio, Sonia Weil, Mineirinho, Benê Bianchi, a Natália Fischer e as amiguinhas dela, o Edenilson, o Preto, o Feinho, a Valéria Giani, o Armandinho, a Alessandra com cara de Bia Pajolla, quase todos os jornalistas, diagramadores e fotógrafos de Maringá, o Gilberto Abelha e o Aníbal, a Karen Debértolis e o Luizão Jacobs...
E as tais comunidades? Tinha - tenho, claro, posto que ainda estão lá - 14 comunidades, entre elas "Eu sou gateiro", "Bar Valentino", "84, ano em que fizemos contato" (no FB virou "Eu sei o que você fez em 1984", que reúne a turma com a qual entrei na UEL), "Banda Beco" (do guitarrista Bruka Lopes e do maior batera de todos os tempos, Kadu Guariente), "Um Orkut para Daibert" (assim como é feito hoje com Andrea Monclar, fizemos com Juliana Daibert, repórter d'O Diário) e "Henri estamos torcendo por vc" (página de apoio a Henri Jr, querido repórter-fotográfico maringaense que o câncer levou aos vinte e poucos anos de idade).
Na parte das Visitas Recentes, está lá: Total de visitas, 3891; Semana passada, 0. Fiquei tentado a navegar entre os comentários, mas, definitivamente, não tenho saco para ler o que escrevi há dois anos ou mais.
Engraçado... Sem querer, na primeira tarde de 2014 me pago visitando o passado. Psicólogo Apolo Mário de Souza Theodoro, o senhor poderia explicar isso?
O Facebook deve ter nos deixado em torpor, tamanhas a velocidade e a intensidade com que mexeu nas nossas vidas. Foi a conclusão a que cheguei ao verificar que nem faz tanto tempo assim que fiz minha última atualização no orkut - dezembro de 2011, ou seja, somente dois aninhos atrás. O último comentário foi da Wal Batista, diagramadora d'O Diário, de Maringá, que me parabenizou pelo aniversário, e eu a chamei de minha funcionária mais alto astral, porque ela era mesmo, e porque ela havia me chamado de chefe, que fui mesmo.
Passeando pela relação dos amigos, dei as primeiras gargalhadas de 2014. A Telma Elorza - que ainda não tinha o "HO" como marca registrada - tem uma foto de menininha. Não sabia que era amigo orkutiano do prefeito Kireeff. Há amigo que não é mais meu amigo e hã amigo que limei da relação dos amigos do Face. Há velhos amigos em comum com o FB: Carla Sehn, Ivo Akio, Sonia Weil, Mineirinho, Benê Bianchi, a Natália Fischer e as amiguinhas dela, o Edenilson, o Preto, o Feinho, a Valéria Giani, o Armandinho, a Alessandra com cara de Bia Pajolla, quase todos os jornalistas, diagramadores e fotógrafos de Maringá, o Gilberto Abelha e o Aníbal, a Karen Debértolis e o Luizão Jacobs...
E as tais comunidades? Tinha - tenho, claro, posto que ainda estão lá - 14 comunidades, entre elas "Eu sou gateiro", "Bar Valentino", "84, ano em que fizemos contato" (no FB virou "Eu sei o que você fez em 1984", que reúne a turma com a qual entrei na UEL), "Banda Beco" (do guitarrista Bruka Lopes e do maior batera de todos os tempos, Kadu Guariente), "Um Orkut para Daibert" (assim como é feito hoje com Andrea Monclar, fizemos com Juliana Daibert, repórter d'O Diário) e "Henri estamos torcendo por vc" (página de apoio a Henri Jr, querido repórter-fotográfico maringaense que o câncer levou aos vinte e poucos anos de idade).
Na parte das Visitas Recentes, está lá: Total de visitas, 3891; Semana passada, 0. Fiquei tentado a navegar entre os comentários, mas, definitivamente, não tenho saco para ler o que escrevi há dois anos ou mais.
Engraçado... Sem querer, na primeira tarde de 2014 me pago visitando o passado. Psicólogo Apolo Mário de Souza Theodoro, o senhor poderia explicar isso?
A primeira manhã de 2014
Será mau presságio sonhar com duas ex-namoradas na primeira madrugada do ano? Se for, tô fudido. Acordei às oito e pouco com as lembranças de um caso que encerrei há sete anos - lembranças tórridas, aliás - e outro bem mais recente. Estranha maneira de começar a primeira semana do tal ano novo. Sensação estranha - mais pra ruim que pra bom. Levantei e tomei café com biscoito de polvilho, porque as padarias hoje nos abandonaram. Meu pai, que nunca foi de comer nada pela manhã, fazia o primeiro cigarro de palha do dia. "É... Ano de Copa...", comentou, talvez esperando engatar um papo que não rolou.
Fui pro sofá e li mais 15 ou 20 páginas de "Eny e o Grande Bordel Brasileiro", de Lucius de Mello, excelente biografia romanceada da cortesã mais famosa de Bauru. A Casa da Eny mexeu com a cidade em meados do século passado. Conheci a casa, alguns anos atrás, levado por uma amiga fotógrafa que fez pós em Londrina e uma amiga dela. Funcionava um bar no local, com sinuca, mas pelo tamanho do imóvel e o número de quartos cujas portas dão para um amplo jardim deu para imaginar o rendevú que era.
Peguei a bicicleta e avisei os velhos que daria uma volta, com a intenção de suar um pouco e encarar o banho preparatório para o tradicional almoço de ano novo na casa da vó Zizinha. Peguei o rumo da avenida Mogiana, que substituiu o leito da linha férrea. O prefeito da época acertou em cheio: plantou centenas de palmeiras imperiais ao longo da avenida, que está muito bonita e hoje concentra grande parte do comércio de Guará.
Passo pelo professor Tufi com sua indefectível bicicleta. A única imagem que tenho dele é andando de bicicleta. Se tem ou algum dia teve carro, seo Tufi acho que nunca dirigiu. É professor de Educação Física, de tradicional família libanesa, os Chaud, embora, na infância e adolescência, tenha sido mais ligado aos Tannous e aos Aboud. Seo Tufi me deseja feliz ano novo, retribuo daquele jeito alemâo de ser, "pro senhor também", mal olho para ele, pedalo adiante. Poucos segundos depois seo Tufi deseja o mesmo para um sujeito sentado no banco do canteiro central - imaginei que ele saiu de casa para desejar um bom ano para todos com os quais encontrasse.
Fazendo a curva da antiga estação vejo um jovem casal, com mala e banho tomado, certamente se dirigindo à rodoviária. Pombas, mas não são nem 10 da manhã e já vão embora? Devem morar longe. Para São Paulo, por exemplo, poderiam pegar o ônibus depois do almoço que estariam lá a tempo de dormir de boa e aguentar o trampo de amanhã. Iriam os dois ou o rapaz estaria fazendo a gentileza de levar a bagagem da irmã/namorada?
Entro num pedaço de rua sem asfalto que é prolongamento da Washington Luiz e que ainda está sem asfalto porque ali vai sair o novo loteamento da cidade - meu pai e meu irmão reservaram dois lotes e, se sobrar algum, vão passar a pagar as prestações em breve, com o início efetivo do empreendimento. Muitos canudos de papelão pelo chão, acusando fogos de artifício espoucados. No portão de entrada casa do seo Ziquinho de Paula, um gatinho preto, com poucos dias de vida, chama a atenção, andando sem rumo pela calçada. Mais de perto vejo que um irmão dele está estatelado, meio que no local onde passam as rodas direitas do carro. Hum...
Seo Tufi foi o cara que, trinta e cinco anos atrás, disse que minha posição era a de volante. O livro de Lucius de Mello remete ao caso amoroso mais recente. Hoje é aniversário do caso mais antigo, que eu vi pela última vez no final de semana em que o Corinthians foi rebaixado. Deixa pra lá. Tem frango caipira, polenta, pernil e cerveja nos aguardando na vó. Vou acordar meu irmão, esse folgado.
Fui pro sofá e li mais 15 ou 20 páginas de "Eny e o Grande Bordel Brasileiro", de Lucius de Mello, excelente biografia romanceada da cortesã mais famosa de Bauru. A Casa da Eny mexeu com a cidade em meados do século passado. Conheci a casa, alguns anos atrás, levado por uma amiga fotógrafa que fez pós em Londrina e uma amiga dela. Funcionava um bar no local, com sinuca, mas pelo tamanho do imóvel e o número de quartos cujas portas dão para um amplo jardim deu para imaginar o rendevú que era.
Peguei a bicicleta e avisei os velhos que daria uma volta, com a intenção de suar um pouco e encarar o banho preparatório para o tradicional almoço de ano novo na casa da vó Zizinha. Peguei o rumo da avenida Mogiana, que substituiu o leito da linha férrea. O prefeito da época acertou em cheio: plantou centenas de palmeiras imperiais ao longo da avenida, que está muito bonita e hoje concentra grande parte do comércio de Guará.
Passo pelo professor Tufi com sua indefectível bicicleta. A única imagem que tenho dele é andando de bicicleta. Se tem ou algum dia teve carro, seo Tufi acho que nunca dirigiu. É professor de Educação Física, de tradicional família libanesa, os Chaud, embora, na infância e adolescência, tenha sido mais ligado aos Tannous e aos Aboud. Seo Tufi me deseja feliz ano novo, retribuo daquele jeito alemâo de ser, "pro senhor também", mal olho para ele, pedalo adiante. Poucos segundos depois seo Tufi deseja o mesmo para um sujeito sentado no banco do canteiro central - imaginei que ele saiu de casa para desejar um bom ano para todos com os quais encontrasse.
Fazendo a curva da antiga estação vejo um jovem casal, com mala e banho tomado, certamente se dirigindo à rodoviária. Pombas, mas não são nem 10 da manhã e já vão embora? Devem morar longe. Para São Paulo, por exemplo, poderiam pegar o ônibus depois do almoço que estariam lá a tempo de dormir de boa e aguentar o trampo de amanhã. Iriam os dois ou o rapaz estaria fazendo a gentileza de levar a bagagem da irmã/namorada?
Entro num pedaço de rua sem asfalto que é prolongamento da Washington Luiz e que ainda está sem asfalto porque ali vai sair o novo loteamento da cidade - meu pai e meu irmão reservaram dois lotes e, se sobrar algum, vão passar a pagar as prestações em breve, com o início efetivo do empreendimento. Muitos canudos de papelão pelo chão, acusando fogos de artifício espoucados. No portão de entrada casa do seo Ziquinho de Paula, um gatinho preto, com poucos dias de vida, chama a atenção, andando sem rumo pela calçada. Mais de perto vejo que um irmão dele está estatelado, meio que no local onde passam as rodas direitas do carro. Hum...
Seo Tufi foi o cara que, trinta e cinco anos atrás, disse que minha posição era a de volante. O livro de Lucius de Mello remete ao caso amoroso mais recente. Hoje é aniversário do caso mais antigo, que eu vi pela última vez no final de semana em que o Corinthians foi rebaixado. Deixa pra lá. Tem frango caipira, polenta, pernil e cerveja nos aguardando na vó. Vou acordar meu irmão, esse folgado.
domingo, 29 de dezembro de 2013
Extra, extra! Vô da Marianne é pioneiro em Guará!
O tempo passa, o tempo voa e as ligações históricas entre minhas duas cidades do coração só crescem. Depois de descobrir, acredito que nos anos 90, através de uma reportagem de Widson Schwartz, que Antonio Fernandes Sobrinho, mais jovem prefeito de Londrina, eleito aos 32 anos de idade, é guaraense da gema, agora a nossa Marianne de Paula Alves me revela, via Facebook, que o avô paterno dela, José de Castro Alves, o Castrinho, é pioneiro de Guará. Ele era farmacêutico, informa Marianne.
Me pus, claro, a investigar a informação. E quem melhor para lembrar de algo dos antigamentes senão dona Zizinha, minha vó materna, do alto de seus 94 anos? "Lembro sim", aformou, de pronto, Elzira Ilza Tizziotti, última de oito irmãos descendentes de italianos cuja tribo, imagino, seja a mesma dos Pavarotti, dadas a compleição física, atarracada, e a cabeça redonda como um globo, praticamente sem pescoço. "Foi ele que abriu a farmácia que, depois, foi tocada pelo seo Rubens", complementou a senhora Paulo Fischer, imprimindo referências claras e diretas da localização do local de trabalho do Castrinho.
Meu tio João, caminhoneiro aposentado, genro da dona Zizinha, casado com a Ciló, aquela que costuma cozinhar para uma dúzia de pessoas, no almoço de Ano Novo, comida suficiente para o 4º Batalhão de Infantaria Motorizada, acrescentou: já sob nova direção, o nome da farmácia continuou o mesmo, Pharmacia Castro, assim mesmo, com ph, a não deixar dúvidas sobre o autor do empreendimento. Ambos, porém, não souberam precisar a época em que Castrinho exerceu a profissão em Guará, mas dá para estimar que foi na primeira metade do século, algo ao redor das décadas de 30 a 50.
Nascido em 1965, nem de seo Rubens eu lembro direito, até porque minha família, sempre que precisava destrancar a garganta ou levar uma agulhada na bunda, recorria à farmácia do seo Wilson, que ficava na mesma rua, a principal, rua Deputado João de Faria. A farmácia do seo Wilson - vi ele hoje, está bem velhinho, mas, segundo meu pai, lúcido - ficava próximo à entrada da cidade e a do seo Rubens ficava pertinho da praça da Matriz, ao lado do bazar do Zé Carlos e defronte o bar do Zé Berto, onde se reuniam os pés-rachados que, de certa forma, até hoje disputam o poder local com os macaúbas. Lembro de ter entrado na farmácia do seo Rubens, uma ou duas vezes - se fosse mais observador, teria lembrado do "Pharmacia Castro".
No mesmo quarteirão, ainda em frente à farmácia do Castrinho, funcionavam outro bar concorrido da cidade (onde os passantes comiam coxinhas e a malandragem jogava sinuca de tampinha nos fundos) e o cinema onde assisti a todos os filmes do Bruce Lee e, claro, Garganta Profunda, e que hoje abriga a Igreja Universal do Reino de Deus - ou seja, em termos de sacanagem não mudou muito. Se nos próximos dois dias eu topar com o seo Wilson, vou procurar mais informações sobre o Castrinho. Enquanto isso, a própria Marianne poderia nos agraciar com mais informações sobre a trajetória de seu avô paterno, né, não, Loira?
quinta-feira, 26 de dezembro de 2013
Romário e Vera Fischer no sítio do Diô
Meu tio Diomedes sempre tratou como filhos seus animais de estimação, os quais batiza com nomes de artistas famosos da TV, e eles, invariavelmente, atendem seu chamado - por isso fiquei curioso hoje, 26 de dezembro, quando o Papelão, marido da tia Dite, anunciou, na varanda do sítio, onde já tínhamos emborcado várias latinhas de skol com sal e limão galego, que estava na hora dele, o Diomedes, chamar o Romário para o beijo matinal.
- Quem é Romário? - perguntei, ciente de que a cadela Tieta devia estar por ali, no terreiro, dando um carreirão num frango incauto e a leitoa Xuxa, àquela hora, certamente estaria tomando o segundo banho de lama do dia no mangueiro ao lado do paiol.
- O beija-flor, uai - respondeu Papelão, com jeito de quem presenciou a cena várias vezes.
No dia de Natal, na casa dos meus pais, em Guará-SP, Fernando Papelão ouvira com muita atenção o relato de Paulo, casado com Lívia, minha prima que mora em Penápolis. Há quatro meses Paulo trabalha, como pintor e funileiro, para uma empresa brasileira que constrói barracões industriais no Congo.
Conceituado consertador de máquinas e implementos agrícolas, Papelão - mesmo às vésperas da aposentadoria - ficou deveras interessado pelo salário em euros que a empresa pago aos funcionários depois de receber do governo local. Mas teria a atração congolesa deixado Papelão tantã a ponto de asseverar que um beija-flor, bicho arisco por natureza, se aproximaria do bicho homem como um gato à procura de afago?
- É mesmo - concordou Diomedes, olhando de soslaio para a parede que sustenta a caixa d'água e, também, o bebedouro onde Romário volta e meia sacia a sede. - Daqui a pouco ele aparece - vaticinou.
Aí não, beijar-flor domesticado não, pensei eu, mesmo sabendo que o Sítio Boa Esperança, na Grotinha, onde nasceu boa parte dos dez irmãos da minha mãe, em quase nada difere do Sítio do Pica-Pau Amarelo. Diria mesmo que se não houvesse havido Monteiro Lobato em Taubaté um século atrás, talvez fosse tio Diô, hoje, a povoar a nossa imaginação.
Mesmo sem Romário, a coisa passou a ficar um pouco mais crível quando Diô, olhando pro outro lado, tascou:
- Lá vem a Vera Fischer.
Todos olharam para o terreiro, onde uma franguinha creme ciscava, bicando ora um inseto ora uma migalha de pão atirada na beira da cerca de arame que protege a varanda da cachorrada e da galinhada. A um chamado que certamente somente ambos entendem, Vera Fischer atravessou a cerca de arame (como se uma foca passasse por uma argola apertada), pulou no ombro do Diomedes e ali ficou, como se estivesse cumprindo um ritual para o qual tivesse exaustivamente sido treinada.
Diô, instigado por alguém da cozinha, levantou-se da cadeira de descanso para fazer alguma coisa na pia e Vera Fischer seguiu seu rumo. À beira da pia, Diomedes avistou Romário e fez com a boca um sinal que, se não fosse sonoro, lembraria perfeitamente uma dupla jogando truco. E não é que o beija-flor sentou no dedo indicador dele, como fazem os papagaios e os pássaros preto?
E ali permaneceu, batendo as asas naquele ritmo frenético dos beija-flores, até que Diomedes propôs um beijo de língua, e Romário, como se fugisse de um Júnior Baiano, vazou a 800 km/h, rumo à jabuticabeira que, devido ao pinga-pinga constante de um torneira, dá jabuticaba o ano inteiro.
- Tem muita gente hoje aqui, acho que ele se assustou - arriscou Papelão, sobre o fato de o beija-flor não ter consumado o beijo em Diô.
Pode ser, pode ser... Mas então acho melhor mudar o nome dele, porque todo mundo sabe que o Baixinho adora estádio lotado.
segunda-feira, 11 de junho de 2012
Você Esporte Clube
http://www.multitvcidades.com.br/play.php?video=974#titulo
Eis o terceiro dos três blocos do último "Você Esporte Clube", programa semanal que eu e Cláudio Osti estamos apresentando já há umas cinco semanas na MultiTv Cidades, canal 20 da NET em Londrina. Tentamos mesclar assuntos sérios com algumas presepadas. Neste vídeo, por exemplo, não poderia ter deixado de mandar um grande abraço ao Marcelinho Carioca, cujo pênalti desperdiçado na semifinal da Libertadores de 2000, diante de São Marcos, completou 12 anos dia 6 de junho. O restante dos vídeos (deste e dos outros programas) está no site da emissora, multitvcidades.com.br. Veja, critique - mas pegue leve, please, porque o mané aqui, em termos de tevê, é marinheiro de primeira viagem.
Eis o terceiro dos três blocos do último "Você Esporte Clube", programa semanal que eu e Cláudio Osti estamos apresentando já há umas cinco semanas na MultiTv Cidades, canal 20 da NET em Londrina. Tentamos mesclar assuntos sérios com algumas presepadas. Neste vídeo, por exemplo, não poderia ter deixado de mandar um grande abraço ao Marcelinho Carioca, cujo pênalti desperdiçado na semifinal da Libertadores de 2000, diante de São Marcos, completou 12 anos dia 6 de junho. O restante dos vídeos (deste e dos outros programas) está no site da emissora, multitvcidades.com.br. Veja, critique - mas pegue leve, please, porque o mané aqui, em termos de tevê, é marinheiro de primeira viagem.
domingo, 1 de janeiro de 2012
Todo ano é o mesmo crime. Basta!
Imagino que exista algum regime político em atividade – Sudão, Iêmen, Coréia do Norte, Haiti, sei lá – que puna severamente o tipo de abuso que todo ano é cometido em plena luz do dia pelo consórcio Fischer-Tizziotti em Guará, interior de São Paulo. Não é possível que, mesmo no democrático Estado brasileiro, inexista algum capítulo ou mesmo um mísero artigo – ainda que dependa de regulamentação – capaz de ao menos refrear o ímpeto anticristão dessa gente que tem a pachorra de cozinhar para seus 13 membros o equivalente, em comida, para se satisfazer um batalhão de lenhadores.
Hoje, por exemplo. Não obstante os alertas de sempre para o evidente exagero, a Ciló preparou um pernil de porco gigantesco – quatro quilos, numa estimativa modesta – e quatro frangos caipiras que ocuparam, das oito da manhã à uma da tarde, três bocas do fogão de lenha da dona Zizinha, cujos 92 anos não impedem que a faça cúmplice desse estrago jurídico-gastronômico. Meu pai garante que, civilizadamente servidos, apenas os quatro frangos, acompanhados de arroz branco e salada de tomate, satisfariam 30 pessoas.
O problema não se resume somente à quantidade sem noção. A questão mais grave é a absoluta falta de originalidade, o que poderia suscitar o enquadramento em mais de um artigo que tipifique esse tipo de crime. Todo primeiro dia de ano é a mesma coisa: pernil de porco assado, frango caipira em molho, arroz branco, feijão, lasanha, polenta, cerveja, refrigerante e, para sobremesa, bolo gelado e picolé da Vila Vitória. O primeiro almoço de 2012, em razão de condicionantes factuais, trouxe agravantes de balançar a toga até de catedráticos ministros do STF: milho verde em três versões – cozido, refogado e espigas na brasa – e um musse presenteado pela Juliana.
Isso tudo para que José, Ciló, João Luís, Maura, João Batista, Vera, Rogério, Zenrique, Emerson, Mônica, Evelyn e Leandro ficassem – antes, durante e depois da refestelança – batendo papo e dando altas gargalhadas, num claro acinte à sobriedade com que cidadãos decentes deveriam receber o ano que se inicia. Não é possível que esse povo continue agindo assim impunemente. Não é possível!
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