quinta-feira, 29 de abril de 2010

De Montezuma Cruz



Josué, 4 anos, abre um sorriso de caboclo, na janela de sua casa de madeira, próxima ao encontro das águas dos rios Moa e Juruá, no município de Cruzeiro do Sul (AC). É um dos cinco netos do farinheiro Luiz Augusto da Silva, 51 anos.

Num dos tranqüilos quintais do antigo Seringal Harmonia, o menino parece não se importar nem um pouco com as altas e baixas das ações da Bolsa de Valores em São Paulo, ou com os jogos de futebol no Estádio Arena da Floresta, na capital acreana. Distante do mundo urbano, tampouco lhe interessa ainda, se em Rio Branco, a capital, todas as crianças têm escola ou freqüentam algum shopping center.

Josué está amarrado às suas raízes. Aprende ali mesmo, com a boa vontade dos avôs, dos pais e dos vizinhos, que também oferecem ao Acre uma esplêndida lição de vida: usam a farinha que produzem artesanalmente para promover a prática secular do escambo de mercadorias.
O dinheiro está à parte naquela curva de rios. Adultos e crianças sentem satisfação ao trocar bolos, pães ou simples tapiocas. No fundo, no fundo, esse menino é mais feliz que tantos outros moradores nas cidades do Acre e das Amazônias.

sexta-feira, 23 de abril de 2010

De volta ao Barro Preto

Dar uma de turista na própria cidade tem essa vantagem: nesta sexta, não eram nem bem sete horas da manhã e já ganhei um convite para pescar e churrasquear na beira do rio. Levantei cedo pra buscar o leite no sítio com a Vera e a Ciló, já que, hoje, o João Luís dobra o trampo na usina. Então, antes das sete estava na padaria do Ismael, que puxou conversa e, ao final, disse que, se desse tudo certo, ligaria de tarde para nos convidar a conhecer o rancho que ganhou de herança e que ele ajeitou com uma bela varanda, uma piscininha de plástico e três represas das quais, entre um naco de carne e um copo de cerveja, tira umas tilápias. Café tomado, rumei pra casa dá vó. Ciló resolveu ficar, para cuidar das casas. Fomos eu, Vera e dona Zizinha pro Barro Preto. No caminho, a conversa de sempre: o medo dos cachorros que o falecido Tim colocou lá e até hoje amedronta os incautos. Revi o pomar de jabuticabas, o pé de amora que não existe mais, o antigo mangueiro. De repente, a surpresa: a matilha aumentou - uma cadela teve dez filhotes nesta madrugada. Vera jogou água e deu uma lavada básica na Capelinha, que, segundo a vó, Paulo Fischer ergueu em 1973. Há tanto ferro e alumínio jogado por toda parte que é capaz de, reciclado, dar pra comprar um carro. A velha paineira está florida, com seus trinta e tantos metros de altura. Chupei uma mixirica de um pé novo - azeda pra carai. O pé de tamarindo cresceu tanto que sombreou quase todos os pés de jabuticaba. Há três ficus em frente à varanda - dava para cortar dois, deixando só o do meio, porque plantaram muito pertinho um do outro, e ficus cresce barbaridade. O carreador de acesso ao sítio - são 3 km da sede até a casa da minha vó - está quase todo erodido. Coitada da dona Zizinha: a estrada ruim e o Fiat pior ainda fizeram-na chacoalhar várias vezes a velha carcaça, que completa 91 anos agora em agosto. Os pastos ao redor estão abandonados, embora cercados - o que dá um tom melancólico, porque antigamente não havia cerca, dava um ar de liberdade, e não sei por que cercar, se os outros sitiantes do pedaço não cuidam direito. Enfim, antes das nove já estávamos de volta, e ainda tinha o dia inteiro pela frente. E não fomos ao síto da Grota ainda, para eu saber exatamente o que vai abarrotar meu porta-malas na volta a Londrina, mas, pela estação, não deve fugir muito de poncãs, laranja, limão e os atemporais: mamão, banana, abacate. E, claro, as carnes, que são um capítulo à parte. Guará é uma delícia. Preciso comprar uma maquininha digital.

quinta-feira, 22 de abril de 2010

Limão cravo ladeira acima

Depois de bater, mais uma vez, o telefone na cara de um zero-oitocentos, lá no escritório do meu pai, cheguei na casa da dona Zizinha, onde Ciló e Vera depenavam o quarto frango caipira da tarde. Cheguei de bicicleta, ao contrário do que sempre faço – a casa da minha vó fica a uma quadra de distância de casa, mas decidi não entrar na da minha mãe porque a Elisângela estava terminando de lavar a varanda e não queria marcar toda a lajota com pneus de bike. Ato contínuo, segui pra vó e, além dos frangos depenados, encontrei tio João pronto para apanhar limão cravo na chácara do Renê Telles. “Vamu?”, convidou. “Vamu, uai.” A chácara do Renê – pai da Zezé, minha colega de escola dos seis aos 17 anos – fica ao lado do Rondon, até hoje o único colégio em Guará que oferece segundo grau. Pulamos a cerca, parmeando as bicicletas, e fomos ladeira acima, enfrentando as touceiras de braquiária até o pé de limão, a uns 150 metros da rua. O pé de limão cravo fica ao lado das ruínas do que foi a primeira caixa d’água da cidade, construída, segundo tio João, pelo prefeito Urbano Junqueira quando eu era moleque. Lembrei que, naquele tempo, tinha uma mangueira enorme ali, onde fica o ponto mais alto da cidade – na verdade, do município, porque ali onde estávamos fazia 150 metros que a área urbana tinha acabado. A água, então, abastecia todas as casas somente pela gravidade. Dali se vê Guará toda e se ouve o barulho dos carros e caminhões na Rodovia Anhanguera. Apanhamos limão suficiente para lotar um saquinho de supermercado. Ainda não tinha afofado o chinelo numa bosta de vaca quando recebi mensagem da Turca, anunciando, de Londrina, que estava chegando ao fim a busca por um novo apê. Vazamos dali sob o temor de que alguém da chácara nos tivesse visto e viesse nos dar bronca. Só faltava essa, pensei: eu, aos 44, com meu tio, passando dos 60, levando bronca de chacareiro por pular a cerca e roubar limão cravo. Seria o fim da picada. Na volta, após lavar os braços e descobrir que, de fato, é impossível apanhar limão cravo sem levar ao menos um arranhão, a Ciló preparou uma limonada e nos ofereceu biscoitos de nata enquanto papeávamos, pra variar, sobre coisas antigas, relembrando passagens. Lembrei que, apesar de ter estudado com a Zezé um par de tempo, nunca entrei na casa do Renê, embora fique a caminho do clube, de onde não saíamos enquanto os cabelos não esverdeavam. Fomos lembrando dos moradores de cada quarteirão, até chegar na casa do Ronaldo, filho do Toniquinho Ribeiro. Daí contei que, aos 15 anos, o Ronaldo pegou a Marajó zerada do pai e fomos pro sítio do meu vô, no Barro Preto. Na volta, atolamos no barreiro da porteira e já estávamos desistindo – apesar da ameaça de que fôssemos tosquiados pelo Toniquinho – quando meu tio João Luís, voltando do sítio de bicicleta, parmeou a traseira do carro e conseguimos sair do atoleiro. Daí o Turquinho Aniz me liga, certamente para derrubarmos algumas brahmas no Nicolas e, quando informo que estou a 560 km de distância, manda abraços pra família. Bem, é final de tarde e acho que vou tomar uma ducha para derrubar uma meia grade lá no Bar do Moitinha. Adoro azucrinar corintianos, especialmente depois de uma “vitória” como a de ontem sobre o Atlético Paranaense. Que coisa, hein, Zé Ganchão? Quando teremos de novo um time minimamente confiável? Argh!

domingo, 18 de abril de 2010

My friends

(Artigo para o Em Dia, de Echaporã-SP, do bro Bruka Lopes)

Tenho um amigo chamado Jaime. Um grandissíssimo boa praça. Trabalhamos juntos na Unopar. Eu, na assessoria de imprensa; ele, até hoje, no setor de informática. Encontrei-o ontem – escrevo neste domingo, 18 de abril – no show do Arnaldo Antunes e do Scandurra, em Londrina. Legal encontrar amigos assim, que ficam verdadeiramente felizes em te ver. Deve ter mais de 1,90 metro, o Jaimão. Batemos um papão. Ele estava com a esposa e um casal de amigos. Eu, de boa, solteiro. Nos despedimos logo depois dos artistas entrarem no bar. Sim, era um bar, com um palco e um mezanino. Legal show assim, em que os artistas entram como se fossem clientes, as pessoas vêem e os saúdam. Retribuíram, depois, com um showzaço. Parece que o negócio do Jaime é trampar em universidades. Antes da Unopar, trabalhou na Unipar, de Umuarama, lado a lado com a Graça Milanez que, não sei por que, não foi à festa “Eu sei o que você fez em 1984”, porque avisada foi – pelo Jaime, que viu no meu blog uma foto dela em grupo no antigo Buraquinho, de tantas histórias, da UEL. Arnaldo Antunes (cabeça-dinossauro do Titãs) e Edgard Scandurra (guitarrista do Ira!) tocaram no Vitrola Bar no dia em que Roberto Carlos homenageou a mãe num show em Nova Iorque sem saber que Lady Laura havia morrido poucas horas antes, no Rio de Janeiro.

Tenho um amigo chamado Briguet. O filho dele nasceu anteontem – escrevo neste domingo, 18 de abril – às 11h55 no Hospital Evangélico. Fui visitá-los no dia seguinte. Era para ser parto normal, tudo encaminhava para isso, mas Pedro Henrique completou 40 semanas na barriga da Rosângela e teimava em não sair. Rô, então, foi pra cesária, e PH nasceu bem, três quilos e tanto, beleza pura. Rosângela e Briguet sonecavam quando cheguei. Briguet foi meu repórter – engraçado isso, “meu” repórter – quando eu editava o Local da Folha, há uns 15 anos. É palmeirense como eu, meio cabeça dura politicamente como eu, é muito melhor jornalista que eu. É cronista. É escritor. Além de um docinho delicioso, ganhei também, na visita, um pequeno livro, de 63 páginas, que Paulo Antônio Briguet Lourenço escreveu, em segredo, e mandou imprimir, em segredo, com poemas para saudar o nascimento do filho. “Cantigas de nascer” foi feito para presentear quem fosse visitá-los no dia do nascimento. Na contracapa, uma trovinha que dá a medida do recheio: Falem baixo, por favor/que o Pedro está dormindo/Falem baixo, ele chegou/Chegou e já é bem-vindo. Se PH incorporar a beleza da mãe e a galhardia do pai, já terá valido a pena. Na saída, disse baixinho, ao pé da orelha, que o homenagearia com dois gols – um com cada perna – na pelada na casa do Cacá. Pedrão, sábado que vem eu cumpro a promessa. Orson, pra variar, errou 99% das assistências. O Orson ainda me mata de raiva.

Tenho um amigo chamado Cabeça. Claro que o nome dele não é esse. Ele se chama Henri Júnior, nome que veio do pai, o Francês velho de guerra. Henri vai ser homenageado amanhã – escrevo neste domingo, 18 de abril – em Maringá. Dará nome à Sala de Imprensa da Sociedade Rural. Ivan Amorin pediu que eu escrevesse algo para ser lido por um mestre de cerimônias no ato da inauguração. Vai te lascar, zé. É responsa demais. Vou marcar presença e ficar em resignado silêncio. Cabeçudo mora no céu. Nos deixou antes dos 30, depois de uma luta heróica contra um câncer no cocuruto. Ele brincava com aquele buraco no alto da cabeça. Pedia pra gente passar a mão. Cabia uma bola de sinuca naquele buraco. Se fosse escrever algo, elogiaria a iniciativa da Sociedade Rural e recomendaria aos vereadores de Maringá que dessem o nome dele a alguma avenida, de preferência bem grande e importante, onde, com certeza, se dependesse do Cabeça, só circulariam lealdade, carisma e camaradagem, no último grau.

sábado, 17 de abril de 2010

Na falta do que fazer...


Contribuição absolutamente espontânea e desinteressada que recebi de um brother são-paulino e que aqui publico como homenagem a essa data tão especial dos co-irmãos.

quinta-feira, 8 de abril de 2010

Flagrantes - Parte I



Yuri Sampaio presta atenção em alguma baboseira de Rogério Fischer.



Luizinho conversa com Ariel Palacios e a esposa dele cumprimenta Vânia, enquanto o mané aqui se distrai com alguma coisa do balcão para dentro.


Ariel "Bendito ao Fruto" Palácios com Cláudia Romariz, Carina Paccola, Priscila, Vânia Novelli, Edra e Denise Gentil.


Observado por Yuri, explico a Ariel a influência do sexo e da religião no alinhamento dos planetas depois da vitória do Corinthians pelo Mundial de Clubes Pernas-de-Pau. Ou não.


Flagrantes - Parte II


Luizinho muito bem acompanhado: Pri, Denise, Edra e Carina Paccola.


Loyollinha crava os dentes no cangote do pai, enquanto a mãe e o restante da caravana de Guaíra posam para a foto.



Tadeu Far Wau no atabaque, Marcelo no não-sei-o-que, Luizinho no vocal, Ruizinho na flauta e Marco no violão: Clube da Esquina Revival.



Ariel Palacios finge ignorar algo de que Luizinho, Vânia e eu rimos.




Alexandre Horner, Denise Gentil, Ariel, Helion (marido da Cláudia) e a própria; ao fundo, à esquerda, Marcos Losnak.