quinta-feira, 29 de julho de 2010
No aeroporto de Franca
quinta-feira, 15 de julho de 2010
No apê de Luciana

Essa foi a ilustração que Edivaldo Jacinto, artista plástico e publicitário em Londrina, fez para uma crônica minha publicada por Régis Querino na sua Revista Real, que circula em Londres. Ex-colega de Folha, Régis está na Inglaterra há vários anos. Para quem se interessar, o endereço é www.revistareal.com. A crônica foi editada nas páginas 20 e 21 da edição de julho. A esposa está concluindo um mestrado e, pelo jeito, o Papagaio - santista de nascimento e de coração, apesar do pai palmeirense - vai entrar numas de não voltar mais não. Lá, faz aquilo para o qual se formou aqui: jornalismo. E faz bem feito.
Esse polvo rende
Seu frangueiro!
O "frango" de Waldir Perez em Londrina
Muitos dos que assistiram ao recente torneio amistoso no Estádio do Café, entre Iraty, Atlético Paranaense, São Caetano e Corinthians, talvez não saibam que essa não foi a primeira Taça Cidade de Londrina. Já houve outra, em 1984, conquistada pelo Palmeiras. Para comemorar o cinqüentenário da cidade, houve vários eventos. Muitos vão se lembrar do famoso show do palco flutuante no Igapó. Alguns talvez se lembrem do show, no Moringão, com três mestres da sanfona, Sivuca, Dominguinhos e Osvaldinho. Eu, que chegara para cursar UEL justamente naquele ano, lembro de todos – mas, principalmente, do torneio entre Londrina, Café (então o segundo time profissional local), São Paulo e o Verdão de Parque Antártica.
A fórmula de disputa foi a mesma desse torneio recente: dois jogos na sexta-feira e, no domingo, a final, entre os vencedores dos primeiros confrontos. Naquela ocasião, o Londrina sapecou uma goleada no Café e, na decisão, perdeu de 1 a 0 para o Palmeiras, que eliminara o São Paulo.
Foi a primeira vez que fui ao Estádio do Café, hoje Jacy Scaff. Fui ver meu time, que estava exatamente no meio da fila de 16 anos sem títulos, que só viria acabar em 1993. E o jogo era contra o São Paulo de Waldir Perez, apontado como principal responsável pela “Tragédia de Sarriá” – aquela famosa derrota do Brasil para a Itália, na Copa de 1982, aquela dos três gols de Paulo Rossi que afundaram o futebol-arte do time de Telê.
Minha bronca com Waldir Perez vinha de 1977, quando ele catimbou os jogadores do Atlético Mineiro na decisão do Campeonato Brasileiro e os fez errar várias cobranças de pênalti. E o time de Chicão, que naquele jogo daria botinada até no papa, se ele passasse por perto, ganhou o título na base da retranca. Mas tive minha vingança.
O Palmeiras ganhou do São Paulo, em Londrina, com um gol olímpico do meia Jorginho. Ele cobrou o escanteio à meia altura, e a bola entrou entre o goleiro e a primeira trave. Mais uma falha clamorosa de Waldir Perez, que poderia ter pego a bola com facilidade. E também por não ter posicionado alguém de sua defesa no primeiro pau. Devo ter xingado o goleiro sãopaulino até cansar, mas da arquibancada não vale muito – o jogador não vai ouvir algo vindo lá de longe e, mesmo se ouvir, não vai dar bola.
Uma história que ouvi de um colega jornalista em junho agora, ou seja, 26 anos depois daquela partida, deixou minha vingança completa, pois esse colega jornalista – cujo nome, infelizmente, não posso revelar – fez naquele dia o que eu gostaria de ter feito.
Ele tinha apenas seis anos e, como eu, tinha ido pela primeira vez ao Estádio do Café. Sãopaulino roxo, o pai o levou, no dia seguinte, ao hotel onde as delegações estavam hospedadas. E, todo orgulhoso, ia apresentando ao filho os jogadores do seu time de coração, até que, frente a frente com Waldir Perez, o garoto, com a sinceridade inerente à toda criança, tascou, na lata, o desabafo entalado na minha e na garganta de milhões de brasileiros:
– Seu frangueiro!