Na tarefa de secador-mor de todo torcedor verdadeiro, vos digo: dei de ombros para a "vitória" do São Paulo ontem, estou pelando de medo do Atlético-GO, estou pelando mais ainda de medo do Corinthians ganhar do Flamengo e, der o que der, vou me deleitar com o resultado de hoje à noite na Vila.
Como diria o esquartejador, vamos por partes.
1. Acho que o São Paulo não passa pelo Cruzeiro nas quartas-de-final, por isso nem liguei muito para a vitória dos bâmbis, nos pênaltis, diante do... Carai, com quem o São Paulo jogou ontem? Vi o resultado hoje cedinho, na net, já esqueci o nome do adversário, mas ia dizer que só fiquei ligeiramente escorneado com a declaração do Ceni, de que não seria justo com ele se o São Paulo perdesse depois de ele ter errado a primeira cobrança. Pô, o cara erra a cobrança e diz que, se o time perdesse, não seria justo com ele? Vai ser mala e arrogante assim no Jardim Leonor. Rogerinho, meu rei, é por isso que tu nunca vais chegar aos pés do Marcão. Teu destino é ser ídolo dos bâmbis - e só!
2. A única possibilidade de o Palmeiras sair de Goiânia hoje classificado é o fato de que meu time, muitas vezes, gosta mais de navegar em águas turbulentas do que em águas plácidas. Porque tudo o resto joga contra ele hoje. Fez um placar magérrimo no Palestra - o mesmo 1 a 0 que fizera contra o Patético Paranaense e que, no jogo da volta, o fez suar sangue e lágrimas diante de tanta incompetência em converter um golzinho nas tantas chances que teve. O Atlético Goianiense é muito melhor que o Paranaense. Tem um time redondinho - foi campeão estadual no último final de semana, estreia na Série A do Brasileiro no próximo final de semana. Joga em casa diante de um time absolutamente desequilibrado, física, tática e emocionalmente falando. Tem até goleiro-artilheiro. Vai jogar desafiado por uma grande equipe e mordido por ter sido garfado em São Paulo - só palmeirenses míopes dos zóio e da cachola podem achar que aquilo foi pênalti. E o tal Diego Souza me inventa uma contusão às vésperas do pega com os caras em Goiânia. Aquele Palestra, para variar, está um caldeirão.
3. Chega a dar pena dos corintianos. Tudo bem que o vácuo deles na Libertadores é a arma primeira dos rivais para caçoá-los, mas um novo fracasso hoje ganharia proporções de guerra civil. Se cinco anos atrás, diante do River, no Pacaembu, foi preciso que meia dúzia de policiais militares fossem abençoados por Deus para evitar uma tragédia sem precedentes, agora a tragédia está anunciada. Se o Curintia perder hoje, a única salvaguarda dos que estarão dentro do gramado é se o time perder de maneira heroica, reta, empolgante. Porque, se perder de maneira apática, como ocorreu no Maracanã, com o Gordo jogando nada, vixe, Santa Maria de Deus. Não quero nem ver o que vai acontecer no Pacaembu. Ademais, além da inegável força corintiana, o Flamengo, pelo menos em mim, não inspira a menor confiança. Tem bons jogadores, mas é uma equipe absolutamente sem coesão, repleta de vaidades feridas, de egos inflados. A única chance deles encararem o Corinthians de verdade é os moleques e menos conhecidos do time darem o sangue e empurrarem a equipe, porque não confio em Vagner Love, Bruno, Pet e mesmo Adriano. O Flamengo tem tradição de sempre contar com sua base na hora em que precisa. E vai precisar muito dela hoje. Se o Corinthians sair na frente, meus amigos, esqueçam. O Mengo sai com uma sacola nas costas.
4. Vou me deleitar com o que vier hoje na Vila porque, se o Santos encaçapar o Galo, vou me divertir com a cara de bunda do Luxa. E, se o Atlético-MG ganhar, e meu Parmera também, então terei um rival mais fraco pela frente numa eventual decisão - embora ache que quem vai para a final, na chave do Palmeiras, é o Vitória, que vem jogando muito bem e, particularmente para meu time, é um asa-negra daqueles.
quarta-feira, 5 de maio de 2010
sábado, 1 de maio de 2010
E lá se foi abril!
Abril foi cansativo, porém muito prazeroso. Trabalhei bastante, curti muito. Em meios à tarefas da Tangará, minha empresa em sociedade com Fábio Cavazotti, fiz dois frilas importantes. Do 1º ao 11º dia, integrei a assessoria de imprensa da Exposição de Londrina, uma das maiores do País. Por aqui, claro, dizem que é a maior da América Latina, à frente de Esteio (RS) e Uberaba (MG). Cascavel (PR) já garante que a deles é a maior. Ribeiro Preto (SP) tem a Agrishow, de longe a mais rentável, mas ainda sem a tradição de Esteio (com sua raça crioula), de Uberaba (com o gado leiteiro em excelência) e Londrina (com sua genética e seus quatrocentos e tantos mil visitantes). De 13 a 16, emendei com a FIQ, a Feira Internacional em Qualidade de Equipamentos, Matéria-Prima e Acessórios para a Indústria Moveleira, em Arapongas, onde fica o segundo maior polo moveleiro do Brasil. Aproveitei o feriado de quarta-feira, dia 21, enforquei a quinta e a sexta subsequentes e vazei para Guará. Visitei a Natália na ida e na volta. Na ida, passei em Echaporã e filei aquele café da Giovanna, dei um abraço no Bruka e vi que Pedro está cada dia mais peralta.

Na Expo-Londrina, trabalhei com uma equipe porreta. Sob a batuta de Benê Bianchi e Andrea Monclar, fiz matérias junto com Emília Miyazaki, Antônio Mariano Júnior, Telma Elorza, Mirela (que cuidava do blog) e Fernanda (sobrinha da Andrea, de Osvaldo Cruz). Fomos secretariados pela Lara, bela morena que Londrina roubou de Iturama (MG) e que o mundo da produção artística ameaçava roubar de Londrina. Em Arapongas, trampei com a "chefe" Cláudia Romariz, Antonieta Toledo (que veio de Assis-SP) e o fotógrafo Gabriel Teixeira, a quem pedi o clique acima. No meio da feira, topei com a Érica, sobrinha de um antigo enrosco meu em Arapongas. Quando não saía da casa da vó dela, a dona Ceiça, Érica estava para completar 18 anos. Hoje está casada, é mãe, mas está longe de perder o fulgor da juventude. Trabalhou no estande da Berneck, indústria de madeira sediada na região metropolitana de Curitiba.
Por conta do mês atarefado, acabei não conseguindo colaborar com Régis Querino na edição de maio da Revista Real, que o "Papagaio" empreendeu em Londres, onde está há um par de anos com a mulher, Adriana. A revista é dirigida aos leitores e anunciantes da colônia tupiniquim de lá, que é grande à beça. De cabeça, assim, sei que moram lá a Cláudia, jornalista que trabalhou comigo na Folha de Londrina, na década de 90, e hoje é dona de imóveis na capital inglesa; Vanusa Macarini, que também trabalhou lá e é filha de Walmor, o mais longevo - se não me engano - diretor de Redação da Folha; o Turquinho, que eu conheci no Diário de Maringá; a Luciana Franzolin, que fez uma pós em foto na UEL antes de se aventurar na terra da Rainha e hoje namora um jornalista cipriota, que tive o prazer de conhecer em Bauru... Aí, ó, esse lance de citar nomes é phoda porque fico com a sensação de ter esquecido alguém. Essas duas ilustrações são de textos meus. Foram feitas pelo Edvaldo Jacinto, fera da criação, que trabalha na Raf Propaganda, onde a revista do Régis é diagramada. Quem quiser dar uma sapeada, o endereço é www.revistareal.com.

E pra terminar abril bem, no último dia ainda fiz um frila pro Estadão, cobrindo a passagem de Marina Silva por Londrina. Engraçado, essas coisas. Foi o Estadão quem me tornou jornalista. Meu pai assinava lá em Guará. Eu lia sempre, devorava esportes, mandava alguns editorais, colecionava os suplementos rural e cultural. Daí tinha uns 15, 16 anos, quando houve uma manifestação no trevo da cidade, pedindo a duplicação da Anhanguera, que naquele ponto matava muita gente - tinha uma descida, vinda de Ituverava, em que os caminhoneiros mandavam ponto morto e dava-lhe banguela; em dias de chuva, era raro um que não terminava com as rodas pra cima. Mandei uma carta para a Redação do Estadão, sobre a manifestação. Postei a bichinha pouco antes das seis, com o Correio quase fechando. Saiu a carta, e eu achei que poderia ser jornalista. Olha aí o que virou. Quando estava no comecinho da carreira, o Widson Schwartz, que era o correspondente em Londrina, já meio de saco cheio das tarefas a ele atribuídas pela Agência Estado, me pagou um frila para eu ir a Bandeirantes, em 1989, numa quarta à noite, cobrir União x São Paulo, pela primeira rodada da recém-criada Copa do Brasil. Era para cobrir o jogo e passar algum texto por telefone, que o Jornal da Tarde esperaria. O União entrou na Copa do Brasil como vice-campeão paranaense - perdera o título no ano anterior para o Coritiba porque jogou as duas partidas da decisão na capital e também perderia o de 1992 para o Londrina porque jogou as três finais no Estádio do Café. O São Paulo ganhou de 1 a 0, gol de um zagueiro que, me informaram na época, estava estreando no time: Antônio Carlos, que depois viria a jogar com sucesso no meu Palmeiras e hoje é o técnico do Verdão.

Na Expo-Londrina, trabalhei com uma equipe porreta. Sob a batuta de Benê Bianchi e Andrea Monclar, fiz matérias junto com Emília Miyazaki, Antônio Mariano Júnior, Telma Elorza, Mirela (que cuidava do blog) e Fernanda (sobrinha da Andrea, de Osvaldo Cruz). Fomos secretariados pela Lara, bela morena que Londrina roubou de Iturama (MG) e que o mundo da produção artística ameaçava roubar de Londrina. Em Arapongas, trampei com a "chefe" Cláudia Romariz, Antonieta Toledo (que veio de Assis-SP) e o fotógrafo Gabriel Teixeira, a quem pedi o clique acima. No meio da feira, topei com a Érica, sobrinha de um antigo enrosco meu em Arapongas. Quando não saía da casa da vó dela, a dona Ceiça, Érica estava para completar 18 anos. Hoje está casada, é mãe, mas está longe de perder o fulgor da juventude. Trabalhou no estande da Berneck, indústria de madeira sediada na região metropolitana de Curitiba.
Por conta do mês atarefado, acabei não conseguindo colaborar com Régis Querino na edição de maio da Revista Real, que o "Papagaio" empreendeu em Londres, onde está há um par de anos com a mulher, Adriana. A revista é dirigida aos leitores e anunciantes da colônia tupiniquim de lá, que é grande à beça. De cabeça, assim, sei que moram lá a Cláudia, jornalista que trabalhou comigo na Folha de Londrina, na década de 90, e hoje é dona de imóveis na capital inglesa; Vanusa Macarini, que também trabalhou lá e é filha de Walmor, o mais longevo - se não me engano - diretor de Redação da Folha; o Turquinho, que eu conheci no Diário de Maringá; a Luciana Franzolin, que fez uma pós em foto na UEL antes de se aventurar na terra da Rainha e hoje namora um jornalista cipriota, que tive o prazer de conhecer em Bauru... Aí, ó, esse lance de citar nomes é phoda porque fico com a sensação de ter esquecido alguém. Essas duas ilustrações são de textos meus. Foram feitas pelo Edvaldo Jacinto, fera da criação, que trabalha na Raf Propaganda, onde a revista do Régis é diagramada. Quem quiser dar uma sapeada, o endereço é www.revistareal.com.

E pra terminar abril bem, no último dia ainda fiz um frila pro Estadão, cobrindo a passagem de Marina Silva por Londrina. Engraçado, essas coisas. Foi o Estadão quem me tornou jornalista. Meu pai assinava lá em Guará. Eu lia sempre, devorava esportes, mandava alguns editorais, colecionava os suplementos rural e cultural. Daí tinha uns 15, 16 anos, quando houve uma manifestação no trevo da cidade, pedindo a duplicação da Anhanguera, que naquele ponto matava muita gente - tinha uma descida, vinda de Ituverava, em que os caminhoneiros mandavam ponto morto e dava-lhe banguela; em dias de chuva, era raro um que não terminava com as rodas pra cima. Mandei uma carta para a Redação do Estadão, sobre a manifestação. Postei a bichinha pouco antes das seis, com o Correio quase fechando. Saiu a carta, e eu achei que poderia ser jornalista. Olha aí o que virou. Quando estava no comecinho da carreira, o Widson Schwartz, que era o correspondente em Londrina, já meio de saco cheio das tarefas a ele atribuídas pela Agência Estado, me pagou um frila para eu ir a Bandeirantes, em 1989, numa quarta à noite, cobrir União x São Paulo, pela primeira rodada da recém-criada Copa do Brasil. Era para cobrir o jogo e passar algum texto por telefone, que o Jornal da Tarde esperaria. O União entrou na Copa do Brasil como vice-campeão paranaense - perdera o título no ano anterior para o Coritiba porque jogou as duas partidas da decisão na capital e também perderia o de 1992 para o Londrina porque jogou as três finais no Estádio do Café. O São Paulo ganhou de 1 a 0, gol de um zagueiro que, me informaram na época, estava estreando no time: Antônio Carlos, que depois viria a jogar com sucesso no meu Palmeiras e hoje é o técnico do Verdão.
***
Por falar em futebol, o troço tá do avesso mesmo: o Corinthians terminando a primeira fase da Libertadores em primeiro lugar e o Palmeiras ganhando do Atlético Goianiense na Copa do Brasil com pênalti roubado aos 49 do 2º. Não, esse não é o futebol que eu conheço.
quinta-feira, 29 de abril de 2010
De Montezuma Cruz

Josué, 4 anos, abre um sorriso de caboclo, na janela de sua casa de madeira, próxima ao encontro das águas dos rios Moa e Juruá, no município de Cruzeiro do Sul (AC). É um dos cinco netos do farinheiro Luiz Augusto da Silva, 51 anos.
Num dos tranqüilos quintais do antigo Seringal Harmonia, o menino parece não se importar nem um pouco com as altas e baixas das ações da Bolsa de Valores em São Paulo, ou com os jogos de futebol no Estádio Arena da Floresta, na capital acreana. Distante do mundo urbano, tampouco lhe interessa ainda, se em Rio Branco, a capital, todas as crianças têm escola ou freqüentam algum shopping center.
Josué está amarrado às suas raízes. Aprende ali mesmo, com a boa vontade dos avôs, dos pais e dos vizinhos, que também oferecem ao Acre uma esplêndida lição de vida: usam a farinha que produzem artesanalmente para promover a prática secular do escambo de mercadorias.
O dinheiro está à parte naquela curva de rios. Adultos e crianças sentem satisfação ao trocar bolos, pães ou simples tapiocas. No fundo, no fundo, esse menino é mais feliz que tantos outros moradores nas cidades do Acre e das Amazônias.
sexta-feira, 23 de abril de 2010
De volta ao Barro Preto
Dar uma de turista na própria cidade tem essa vantagem: nesta sexta, não eram nem bem sete horas da manhã e já ganhei um convite para pescar e churrasquear na beira do rio. Levantei cedo pra buscar o leite no sítio com a Vera e a Ciló, já que, hoje, o João Luís dobra o trampo na usina. Então, antes das sete estava na padaria do Ismael, que puxou conversa e, ao final, disse que, se desse tudo certo, ligaria de tarde para nos convidar a conhecer o rancho que ganhou de herança e que ele ajeitou com uma bela varanda, uma piscininha de plástico e três represas das quais, entre um naco de carne e um copo de cerveja, tira umas tilápias. Café tomado, rumei pra casa dá vó. Ciló resolveu ficar, para cuidar das casas. Fomos eu, Vera e dona Zizinha pro Barro Preto. No caminho, a conversa de sempre: o medo dos cachorros que o falecido Tim colocou lá e até hoje amedronta os incautos. Revi o pomar de jabuticabas, o pé de amora que não existe mais, o antigo mangueiro. De repente, a surpresa: a matilha aumentou - uma cadela teve dez filhotes nesta madrugada. Vera jogou água e deu uma lavada básica na Capelinha, que, segundo a vó, Paulo Fischer ergueu em 1973. Há tanto ferro e alumínio jogado por toda parte que é capaz de, reciclado, dar pra comprar um carro. A velha paineira está florida, com seus trinta e tantos metros de altura. Chupei uma mixirica de um pé novo - azeda pra carai. O pé de tamarindo cresceu tanto que sombreou quase todos os pés de jabuticaba. Há três ficus em frente à varanda - dava para cortar dois, deixando só o do meio, porque plantaram muito pertinho um do outro, e ficus cresce barbaridade. O carreador de acesso ao sítio - são 3 km da sede até a casa da minha vó - está quase todo erodido. Coitada da dona Zizinha: a estrada ruim e o Fiat pior ainda fizeram-na chacoalhar várias vezes a velha carcaça, que completa 91 anos agora em agosto. Os pastos ao redor estão abandonados, embora cercados - o que dá um tom melancólico, porque antigamente não havia cerca, dava um ar de liberdade, e não sei por que cercar, se os outros sitiantes do pedaço não cuidam direito. Enfim, antes das nove já estávamos de volta, e ainda tinha o dia inteiro pela frente. E não fomos ao síto da Grota ainda, para eu saber exatamente o que vai abarrotar meu porta-malas na volta a Londrina, mas, pela estação, não deve fugir muito de poncãs, laranja, limão e os atemporais: mamão, banana, abacate. E, claro, as carnes, que são um capítulo à parte. Guará é uma delícia. Preciso comprar uma maquininha digital.
quinta-feira, 22 de abril de 2010
Limão cravo ladeira acima
Depois de bater, mais uma vez, o telefone na cara de um zero-oitocentos, lá no escritório do meu pai, cheguei na casa da dona Zizinha, onde Ciló e Vera depenavam o quarto frango caipira da tarde. Cheguei de bicicleta, ao contrário do que sempre faço – a casa da minha vó fica a uma quadra de distância de casa, mas decidi não entrar na da minha mãe porque a Elisângela estava terminando de lavar a varanda e não queria marcar toda a lajota com pneus de bike. Ato contínuo, segui pra vó e, além dos frangos depenados, encontrei tio João pronto para apanhar limão cravo na chácara do Renê Telles. “Vamu?”, convidou. “Vamu, uai.” A chácara do Renê – pai da Zezé, minha colega de escola dos seis aos 17 anos – fica ao lado do Rondon, até hoje o único colégio em Guará que oferece segundo grau. Pulamos a cerca, parmeando as bicicletas, e fomos ladeira acima, enfrentando as touceiras de braquiária até o pé de limão, a uns 150 metros da rua. O pé de limão cravo fica ao lado das ruínas do que foi a primeira caixa d’água da cidade, construída, segundo tio João, pelo prefeito Urbano Junqueira quando eu era moleque. Lembrei que, naquele tempo, tinha uma mangueira enorme ali, onde fica o ponto mais alto da cidade – na verdade, do município, porque ali onde estávamos fazia 150 metros que a área urbana tinha acabado. A água, então, abastecia todas as casas somente pela gravidade. Dali se vê Guará toda e se ouve o barulho dos carros e caminhões na Rodovia Anhanguera. Apanhamos limão suficiente para lotar um saquinho de supermercado. Ainda não tinha afofado o chinelo numa bosta de vaca quando recebi mensagem da Turca, anunciando, de Londrina, que estava chegando ao fim a busca por um novo apê. Vazamos dali sob o temor de que alguém da chácara nos tivesse visto e viesse nos dar bronca. Só faltava essa, pensei: eu, aos 44, com meu tio, passando dos 60, levando bronca de chacareiro por pular a cerca e roubar limão cravo. Seria o fim da picada. Na volta, após lavar os braços e descobrir que, de fato, é impossível apanhar limão cravo sem levar ao menos um arranhão, a Ciló preparou uma limonada e nos ofereceu biscoitos de nata enquanto papeávamos, pra variar, sobre coisas antigas, relembrando passagens. Lembrei que, apesar de ter estudado com a Zezé um par de tempo, nunca entrei na casa do Renê, embora fique a caminho do clube, de onde não saíamos enquanto os cabelos não esverdeavam. Fomos lembrando dos moradores de cada quarteirão, até chegar na casa do Ronaldo, filho do Toniquinho Ribeiro. Daí contei que, aos 15 anos, o Ronaldo pegou a Marajó zerada do pai e fomos pro sítio do meu vô, no Barro Preto. Na volta, atolamos no barreiro da porteira e já estávamos desistindo – apesar da ameaça de que fôssemos tosquiados pelo Toniquinho – quando meu tio João Luís, voltando do sítio de bicicleta, parmeou a traseira do carro e conseguimos sair do atoleiro. Daí o Turquinho Aniz me liga, certamente para derrubarmos algumas brahmas no Nicolas e, quando informo que estou a 560 km de distância, manda abraços pra família. Bem, é final de tarde e acho que vou tomar uma ducha para derrubar uma meia grade lá no Bar do Moitinha. Adoro azucrinar corintianos, especialmente depois de uma “vitória” como a de ontem sobre o Atlético Paranaense. Que coisa, hein, Zé Ganchão? Quando teremos de novo um time minimamente confiável? Argh!
domingo, 18 de abril de 2010
My friends
(Artigo para o Em Dia, de Echaporã-SP, do bro Bruka Lopes)
Tenho um amigo chamado Jaime. Um grandissíssimo boa praça. Trabalhamos juntos na Unopar. Eu, na assessoria de imprensa; ele, até hoje, no setor de informática. Encontrei-o ontem – escrevo neste domingo, 18 de abril – no show do Arnaldo Antunes e do Scandurra, em Londrina. Legal encontrar amigos assim, que ficam verdadeiramente felizes em te ver. Deve ter mais de 1,90 metro, o Jaimão. Batemos um papão. Ele estava com a esposa e um casal de amigos. Eu, de boa, solteiro. Nos despedimos logo depois dos artistas entrarem no bar. Sim, era um bar, com um palco e um mezanino. Legal show assim, em que os artistas entram como se fossem clientes, as pessoas vêem e os saúdam. Retribuíram, depois, com um showzaço. Parece que o negócio do Jaime é trampar em universidades. Antes da Unopar, trabalhou na Unipar, de Umuarama, lado a lado com a Graça Milanez que, não sei por que, não foi à festa “Eu sei o que você fez em 1984”, porque avisada foi – pelo Jaime, que viu no meu blog uma foto dela em grupo no antigo Buraquinho, de tantas histórias, da UEL. Arnaldo Antunes (cabeça-dinossauro do Titãs) e Edgard Scandurra (guitarrista do Ira!) tocaram no Vitrola Bar no dia em que Roberto Carlos homenageou a mãe num show em Nova Iorque sem saber que Lady Laura havia morrido poucas horas antes, no Rio de Janeiro.
Tenho um amigo chamado Briguet. O filho dele nasceu anteontem – escrevo neste domingo, 18 de abril – às 11h55 no Hospital Evangélico. Fui visitá-los no dia seguinte. Era para ser parto normal, tudo encaminhava para isso, mas Pedro Henrique completou 40 semanas na barriga da Rosângela e teimava em não sair. Rô, então, foi pra cesária, e PH nasceu bem, três quilos e tanto, beleza pura. Rosângela e Briguet sonecavam quando cheguei. Briguet foi meu repórter – engraçado isso, “meu” repórter – quando eu editava o Local da Folha, há uns 15 anos. É palmeirense como eu, meio cabeça dura politicamente como eu, é muito melhor jornalista que eu. É cronista. É escritor. Além de um docinho delicioso, ganhei também, na visita, um pequeno livro, de 63 páginas, que Paulo Antônio Briguet Lourenço escreveu, em segredo, e mandou imprimir, em segredo, com poemas para saudar o nascimento do filho. “Cantigas de nascer” foi feito para presentear quem fosse visitá-los no dia do nascimento. Na contracapa, uma trovinha que dá a medida do recheio: Falem baixo, por favor/que o Pedro está dormindo/Falem baixo, ele chegou/Chegou e já é bem-vindo. Se PH incorporar a beleza da mãe e a galhardia do pai, já terá valido a pena. Na saída, disse baixinho, ao pé da orelha, que o homenagearia com dois gols – um com cada perna – na pelada na casa do Cacá. Pedrão, sábado que vem eu cumpro a promessa. Orson, pra variar, errou 99% das assistências. O Orson ainda me mata de raiva.
Tenho um amigo chamado Cabeça. Claro que o nome dele não é esse. Ele se chama Henri Júnior, nome que veio do pai, o Francês velho de guerra. Henri vai ser homenageado amanhã – escrevo neste domingo, 18 de abril – em Maringá. Dará nome à Sala de Imprensa da Sociedade Rural. Ivan Amorin pediu que eu escrevesse algo para ser lido por um mestre de cerimônias no ato da inauguração. Vai te lascar, zé. É responsa demais. Vou marcar presença e ficar em resignado silêncio. Cabeçudo mora no céu. Nos deixou antes dos 30, depois de uma luta heróica contra um câncer no cocuruto. Ele brincava com aquele buraco no alto da cabeça. Pedia pra gente passar a mão. Cabia uma bola de sinuca naquele buraco. Se fosse escrever algo, elogiaria a iniciativa da Sociedade Rural e recomendaria aos vereadores de Maringá que dessem o nome dele a alguma avenida, de preferência bem grande e importante, onde, com certeza, se dependesse do Cabeça, só circulariam lealdade, carisma e camaradagem, no último grau.
Tenho um amigo chamado Jaime. Um grandissíssimo boa praça. Trabalhamos juntos na Unopar. Eu, na assessoria de imprensa; ele, até hoje, no setor de informática. Encontrei-o ontem – escrevo neste domingo, 18 de abril – no show do Arnaldo Antunes e do Scandurra, em Londrina. Legal encontrar amigos assim, que ficam verdadeiramente felizes em te ver. Deve ter mais de 1,90 metro, o Jaimão. Batemos um papão. Ele estava com a esposa e um casal de amigos. Eu, de boa, solteiro. Nos despedimos logo depois dos artistas entrarem no bar. Sim, era um bar, com um palco e um mezanino. Legal show assim, em que os artistas entram como se fossem clientes, as pessoas vêem e os saúdam. Retribuíram, depois, com um showzaço. Parece que o negócio do Jaime é trampar em universidades. Antes da Unopar, trabalhou na Unipar, de Umuarama, lado a lado com a Graça Milanez que, não sei por que, não foi à festa “Eu sei o que você fez em 1984”, porque avisada foi – pelo Jaime, que viu no meu blog uma foto dela em grupo no antigo Buraquinho, de tantas histórias, da UEL. Arnaldo Antunes (cabeça-dinossauro do Titãs) e Edgard Scandurra (guitarrista do Ira!) tocaram no Vitrola Bar no dia em que Roberto Carlos homenageou a mãe num show em Nova Iorque sem saber que Lady Laura havia morrido poucas horas antes, no Rio de Janeiro.
Tenho um amigo chamado Briguet. O filho dele nasceu anteontem – escrevo neste domingo, 18 de abril – às 11h55 no Hospital Evangélico. Fui visitá-los no dia seguinte. Era para ser parto normal, tudo encaminhava para isso, mas Pedro Henrique completou 40 semanas na barriga da Rosângela e teimava em não sair. Rô, então, foi pra cesária, e PH nasceu bem, três quilos e tanto, beleza pura. Rosângela e Briguet sonecavam quando cheguei. Briguet foi meu repórter – engraçado isso, “meu” repórter – quando eu editava o Local da Folha, há uns 15 anos. É palmeirense como eu, meio cabeça dura politicamente como eu, é muito melhor jornalista que eu. É cronista. É escritor. Além de um docinho delicioso, ganhei também, na visita, um pequeno livro, de 63 páginas, que Paulo Antônio Briguet Lourenço escreveu, em segredo, e mandou imprimir, em segredo, com poemas para saudar o nascimento do filho. “Cantigas de nascer” foi feito para presentear quem fosse visitá-los no dia do nascimento. Na contracapa, uma trovinha que dá a medida do recheio: Falem baixo, por favor/que o Pedro está dormindo/Falem baixo, ele chegou/Chegou e já é bem-vindo. Se PH incorporar a beleza da mãe e a galhardia do pai, já terá valido a pena. Na saída, disse baixinho, ao pé da orelha, que o homenagearia com dois gols – um com cada perna – na pelada na casa do Cacá. Pedrão, sábado que vem eu cumpro a promessa. Orson, pra variar, errou 99% das assistências. O Orson ainda me mata de raiva.
Tenho um amigo chamado Cabeça. Claro que o nome dele não é esse. Ele se chama Henri Júnior, nome que veio do pai, o Francês velho de guerra. Henri vai ser homenageado amanhã – escrevo neste domingo, 18 de abril – em Maringá. Dará nome à Sala de Imprensa da Sociedade Rural. Ivan Amorin pediu que eu escrevesse algo para ser lido por um mestre de cerimônias no ato da inauguração. Vai te lascar, zé. É responsa demais. Vou marcar presença e ficar em resignado silêncio. Cabeçudo mora no céu. Nos deixou antes dos 30, depois de uma luta heróica contra um câncer no cocuruto. Ele brincava com aquele buraco no alto da cabeça. Pedia pra gente passar a mão. Cabia uma bola de sinuca naquele buraco. Se fosse escrever algo, elogiaria a iniciativa da Sociedade Rural e recomendaria aos vereadores de Maringá que dessem o nome dele a alguma avenida, de preferência bem grande e importante, onde, com certeza, se dependesse do Cabeça, só circulariam lealdade, carisma e camaradagem, no último grau.
sábado, 17 de abril de 2010
Na falta do que fazer...
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