terça-feira, 24 de novembro de 2009

O 'capitão Agostinho'


Ele está de lado, meio que escondido pelo troféu, mas, com uma dose cavalar de boa vontade, acho que dá para conferir a semelhança com Agostinho Carrara, o impagável personagem de Pedro Cardoso em "A Grande Família". O cara levantou, no domingo, a taça de campeão amador de Echaporã. O cara - cujo nome real nem imagino - é o capitão da Granja Mizumoto, que venceu o Paraguai na disputa por pênaltis, após empate em 1 a 1 no tempo normal. 'Agostinho' foi o melhor em campo. Joga de segundo volante. Bom na marcação e no passe. Passa e lança com os dois pés - coisa rara até no meio profissional. Cobre a defesa com eficiência. No primeiro tempo, salvou dois gols em cima da linha, em pererecos provocados por dois escanteios muito bem cobrados pelo 10 adversário. No segundo tempo, chamou a responsa e equacionou um rumoroso bate-boca do treinador com o ponta-esquerda (um anãozinho lépido que saiu duas vezes na cara do goleiro adversário, que fez dois milagres). E foi o primeiro volante, companheiro de 'Agostinho' na proteção à zaga, quem empatou o jogo, de cabeça, completando cruzamento da esquerda e pegando o goleirão adiantado. Antes, o 10 paraguaio havia aberto o placar cobrando pênalti cavado por Rogério, o rechonchudo centroavante do time. Tivesse dois dentes sobressaltados e seria o próprio Ronaldo. Rogério protegeu a bola e desabou na frente do zagueiro - o juizão caiu certinho. Na hora da premiação, Pelé, o capitão do Paraguai, ergueu o troféu de vice com raiva e disse que sua equipe era a campeã moral, porque todos moram em Echaporã, ao contrário da equipe adversária, que contratou gente de Assis. Pelé, um negão espigado, de andar arrastado, cabelo afro bem armado, poderia ter evitado o empate se tivesse atrapalhado o cabeceio do volante rival. De qualquer forma, jogou bem. É do tipo que não perde a viagem. A bola pode até passar; o adversário, não - embora seja mais afoito do que propriamente violento. O Paraguai é genuinamente local - à noite, todos estavam enchendo a cara no bar em frente à praça matriz. Enquanto sãopaulinos torciam ferrenhamente pelo Goiás contra o Flamengo, os jogadores do Paraguai exibiam com orgulho o troféu na mesa posta no calçadão em frente. Perguntei ao prefeito Osvaldo Bedusque - que na foto debaixo entrega medalhas aos campeões - por que aquele time tinha o escudo da Federação Paraguaia na camisa, mas nem ele nem outros souberam explicar. A Granja Mizumoto, na verdade, não existe mais. Fechou há alguns anos, eliminando 400 empregos diretos e mais de mil indiretos, lamentou seu Osvaldo. Parece que mantém alguma atividade básica e ainda participa de eventos como o amadorzão de futebol. Umas 300 pessoas foram ao estádio municipal, que recebeu a banda marcial de um colégio de Bariri. A arquibancada é surpreendentemente grande para uma cidade tão pequena - nem na minha Guará, que já decidiu o título amador paulista (alguém aí lembra da Copa Arizona?), há um poleiro daquele tamanho. Ficamos, eu, o prefeito e o Bruka, sentados à frente de uma garota com dois garotos sãopaulinos no colo e que berrava estridentemente. Ficamos sabendo, depois do jogo, que era a mulher de Pelé, cuja profissão é cortador de cana. Faltou cortar aquele cruzamento, hein, meu rei...






2 comentários:

  1. o nome do agostinho Andersom e o baixinho q vc comentou é Daniel viu vc ñ tirou nenhuma foto do time inteiro , Pq?? achou q ñ seriamos champions rsrsrs...

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  2. Rsrs...
    Boa Moleke...
    Só para informar o zagueiro Marcelo (Biscoito) Do time dos paraguaios, para quem não sabe ele moro em Assis.

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