domingo, 30 de agosto de 2009
Os 90 anos da dona Zizinha
sexta-feira, 21 de agosto de 2009
Seção família

quarta-feira, 19 de agosto de 2009
Você está preocupado se a Lina se reuniu com a Dilma?
segunda-feira, 17 de agosto de 2009
Me amarrei em biografias


Mas o que eu queria dizer é que de uns anos para cá, além dos gibis em geral e alguns Milo Manara, não consigo – falando de leitura mais convencional – ler nada além de biografias. Não sei explicar, talvez seja a dificuldade que sempre tive de viajar na maionese da poesia e da ficção, em especial dos autores internacionais. Quando deparo com muitos nomes e termos estrangeiros, cujo significado e pronúncia invariavelmente me fogem, a tendência, com raras exceções, é eu me irritar; daí surge o desinteresse, pulo pra frente, adio aquela leitura que nunca vai rolar. A não ser que seja biografia. Ou fatos históricos. Adorei o 1808, do Laurentino, livrou que tapou 99% das minhas deficiências naquele momento particular da História do Brasil.
Então, o que me tem interessado, ultimamente, são histórias de vida e/ou períodos históricos. Dos últimos dez ou quinze livros que li, pelo que me lembre agora, todos fazem parte dessas categorias. Li muito Ruy Castro. Depois de Estrela Solitária, que apareceu na roda de adoradores de futebol no antigo bar da Casa do Jornalista, li a história da bossa nova, li Saudades do Século XX, li O Anjo Pornográfico. De amigos, li a biografia não autorizada do Roberto Carlos, com a qual Regina Daefiol presenteara o marido Dirceu Herrero pouco antes da Justiça capturar o restante da tiragem. Li Vale Tudo, do Nelson Mota, sobre o impagável Tim Maia.
Com essa trilogia (Chega de Saudades, Roberto Carlos Em Detalhes e Vale Tudo), passei a conhecer mais do velho Rio de Janeiro que muitos cariocas. Na época do Pan, passei uma semana lá, e todo dia eu saía do Largo do Machado e ia pra Copacabana bater perna e passar a limpo por todos aqueles endereços malucos da boemia carioca. Não fosse a chuva fina que caiu sobre o Rio aquela semana toda, teria sido bem melhor. Mas vi muitos locais onde músicos da mais alta estirpe fizeram história.
O fato é que me amarro em histórias verídicas, e a última que li foi Corações Sujos, do Fernando Morais. Trata-se da saga da Shindo Renmei, ou Liga do Caminho dos Súditos, organização secreta que renegava a derrota japonesa na Segunda Guerra e cujos membros, recrutados entre a própria colônia no Brasil, tratavam de calar para sempre a boca dos que ousavam admitir a derrota. Entre janeiro de 1946 a fevereiro de 1947, batalhões de tokkotai, os matadores da Shindo, aterrorizaram a colônia. Eliminaram 23 e feriram 150 “corações sujos”, os traidores do imperador, em várias cidades paulistas e no Norte do Paraná.
Surrupiei o livro do jornalista César Lopes, então editor do site da EleEla. Fiquei na casa dele, em São Paulo, meses atrás, numas de aliviar a cachola. Vi dois jogos do Palmeiras e tomei dois porres homéricos, um no Bar Alemão, perto do Palestra Itália, outro na Mercearia, reduto de bons cafajestes na Vila Madalena. Bruka, como ele é mais conhecido entre jornalistas e roqueiros do eixo Londrina-Sampa, foi pra Echaporã-SP visitar o filho recém-nascido e fiquei sozinho em casa alheia - e aproveitei para dar uma geral na estante do cara. Avisei por e-mail que havia embarcado 100 Crônicas, de Mario Prata, e Corações Sujos na mala. “O do Prata tudo bem, mas esse do Morais tem dedicatória, hein?!?”, ele protestou, em vão. “Vê se devolve!”
Na última das 327 páginas, li que a história da Shindo acabara numa última e desastrada tentativa de assassinato. Eiiti Sakane, que se tornara uma espécie de samurai sem patrão, um tokkotai errante, reservara para si a missão de matar Paulo Morita, que, por ter colaborado com a polícia na identificação dos fanáticos, entrara na primeira lista dos condenados pela seita. E até então estava impune. Numa abafada segunda-feira de verão, segundo o relato do autor, na entrada do Parque da Aclimação, na capital paulista, Sakane matou o cunhado de Morita achando que era Morita o cara que tinha seguido desde a rua Castro Alves e que segurava uma criança no colo. Nada de anormal, não ficasse esse endereço a poucos metros da casa do Bruka, de onde, dias antes, eu surrupiara o livro – autografado – de Fernando Morais.
quarta-feira, 12 de agosto de 2009
Apelidos

Olhei para trás com aquele misto de constrangimento e satisfação. O grito viera da esquina pela qual eu e mais quatro ou cinco pessoas tínhamos acabado de passar. O ruim é que mais meia dúzia de pessoas neste mundo havia acabado de descobrir o apelido de que menos gostei na vida. O bom é que partira de alguém muito chegado. Somente alguém da turma, mas da turma mesmo, aquela das farras da adolescência, poderia perpetrá-lo assim, do nada, à uma da tarde, numa esquina perto da praça matriz, quase em frente à farmácia do Zé Carlos, onde eu tinha ido comprar o Estadão – sim, em Guará, a gente compra jornal na farmácia.
Virei e logo vi o Chiquinho já estacionando a bicicleta, sorriso disfarçado, preparado para o cumprimento efusivo, ele que sabe que, embora não goste muito, nunca reagi mal ao apelido.
– E o Paraná? Tá lá ainda?
Fazia uns quinze anos que eu não via o Chico, cujo sobrenome, confesso, consternado, que até hoje não sei. Para nós, sempre foi o Chiquinho do Cartório, que nascera e vivera a vida inteira em frente ao Kaikan. A galera se separou em 1984. Cada um foi para um lado. Eu passei em Jornalismo em Londrina. O Carlinhos, em Engenharia de Alimentos na Unicamp. O Hélio Carlos, em Odonto, na USP de Ribeirão. O Jean, em Fisioterapia, em Uberlândia. E o Chiquinho, a vida inteira envolvido com cartório, passou em Direito, particular, em Franca. Éramos a Turma do Trapaleão, um desenho que passava na TV. O Hélio Carlos era o Trapaleão, por causa do cabelo armado e da polaquice. Os outros, não lembro. Mas só o meu apelido pegou: eu era o Biela, o Jacaré, aquele que tem um balde na cabeça.
Caramba, o Chiquinho era muito mais Biela que eu, mas o apelido pegou em mim. E todo mundo – menos o Carlinhos, meu primo em segundo grau – me chamava carinhosamente de Bielinha. Fazer o quê? O que mais dói não é o apelido em si, mas o fato de vir de um desenho animado do qual ninguém se lembra. Questionei várias pessoas nos últimos 25 anos e ninguém se recorda da tal Turma do Trapaleão.
Sair de Guará, na “Califórnia Brasileira”, para Londrina foi ótimo, num primeiro momento, para me livrar do apelido. Havia a quase certeza de que circularia impune. O quase fica por conta de um pequeno temor, que me acompanhou nos primeiros meses, de que alguém apareceria na república da Paraíba 322 ou no campus da UEL ou no Clube da Esquina ou no ponto de ônibus da Quintino e dispararia um “E aí, Bielinha?” assim, do nada. A lenda diz que já houve guaraense cruzando com guaraense em Nova Iorque, mas achava isso muito mais factível do que levar um “E aí, Bielinha” na fuça a 560 km de Guará.
O fato que é, como qualquer um, fui colecionando apelidos pelo caminho. Nos corredores do CECA, logo no início da faculdade, entre a mulherada descolada e os bichos grilos de Jornalismo, História e Sociologia, vieram os básicos: Rô e Roger, que nem apelidos devem ser considerados, posto que são variações do mesmo tema. Entre os colegas de república, logo pintou o Magrão, perfeito para um calouro careca de 1,86m e 55 kg. Uns três anos depois, quando já estava na Folha, veio o Rogê. Tudo culpa do Alberto Macedo, que, não sei por que, num de nossos porres diários, naquela etapa em que o disco enrosca na vitrola e o cara fica repetindo a mesma coisa, entrou numas de me chamar de Rogê Martiní – assim, com a sílaba tônica no final –, acho que por causa de uns martinis que eu tinha emborcado, e a coisa caiu na boca do núcleo duro do poder.
Primeiro, desconfio, pelo Zé Ganchão; depois, pelo restante dos que não prestavam: Bernardo, Jerê, Capucho, João... Até os sóbrios Jota Oliveira, Stélio Feldman e Isnard Cordeiro aderiram. Luiz Taques, que viera da sucursal de Campo Grande, inovou e passou a me chamar de Rogê Milá, por causa do atacante camaronês que aproveitou aquela bobeada do Higuita e eliminou a Colômbia da Copa da Itália. Eh, coitado do Escobar, isso sim.
Ao Gancho, devo outro apelido, mas que, felizmente, é utilizado apenas nas nossas relações bilaterais. Estávamos no Bar do Cebolinha, na Vila Ipiranga. Ele, Jerê e mais uma tropa dividíamos balcão com Dom Pablo, o homem que declamava Fagundes Varela a cada lavrado, quando vem subindo a João Cândido um bando de beldades da turma de Jornalismo, capitaneadas por Cris Agostinho e Cláudia Romariz, moradoras de uma república na Antônio Amado Noivo, perto do Evangélico. Ao passar pela esquina da Jorge Velho e ver aquele bando de jornalistas – eu ainda era estudante – e os bêbados de sempre, Cris vaticinou:
– Olha quem está ali, Cláudia, o Rogério Baixaria.
Pronto. Phodeu. Depois de uma semana de alugação, todos voltaram ao Roger, Rogê – menos o Gancho, que até hoje faz questão do Baixaria. Detalhes: Cris viria ser minha esposa, mãe da Natália. Dom Pablo, com mil raposas incendiárias, morreu de cirrose e hoje dá nome ao Gelobel do Parque Guanabara.
Bem, o tempo passa e a gente vai ganhando experiência e algum respeito. Os mais novos passaram a me chamar de Fischer, o que é ótimo para a auto-estima. Foi em Maringá, onde fiquei os últimos cinco anos, que ganhei o último – tomara que seja mesmo o último – apelido, dado pelo fotógrafo Henri Júnior, que passou a me tratar por um termo oriundo de uma história ocorrida também na Folha, vários anos antes, e que contara a ele num de nossos muitos churrascos.
Certo dia, final de década de 80, descia a escada da Redação com Jerê e mais alguns amigos, provavelmente para mais algumas cervejas no Bar do Lema, durante o expediente, quando falávamos sobre brancura no verão (acho que tínhamos visto umas fotos de umas gatas bronzeadas). Quando começamos a descer a escada, levantei a camiseta para mostrar a pança e mostrar que, de tão branco, estava parecendo um bigato. No que uma tiazinha da limpeza, que a tudo ouvira, ao melhor estilo Antonio Belinati, tascou um beliscão no meu pneu e exclamou:
– Bigatão!
Sem comentários. Mas, pela força do beliscão, ainda prefiro o grito do Chiquinho numa esquina movimentada de Guará. Dói menos.
terça-feira, 11 de agosto de 2009
segunda-feira, 10 de agosto de 2009
Saca só essa curva da Bahia

domingo, 9 de agosto de 2009
O gigantesco babaçu guaraense
sábado, 8 de agosto de 2009
Jornalista de mentira, patrão de verdade

Em Guará, de olho naquele porquinho do Diô
Bem, chegamos, Natália e eu, no meio da tarde, almoçamos e já embarcamos para o sítio, com meu pai e minha mãe. Aos 13 anos, minha filha só anda para lá e para cá com a máquina digital. Registra tudo. Já é tipo ferinha em computador, autodidata. Talvez o caminho dela seja por aí. As fotos desse post são da dita cuja. Antes de chegar ao sítio, paramos no sítio vizinho, do tio Diô, onde ela flagrou o início de um passeio da turma que churrasqueava lá, por conta dos 6.3 do Diomedes. Era tanta criança empaçocada que achei que a pampinha ia arriar.
Antes de abandonar o recinto, demos um pulo na baia da porcada, onde o Diô cria suculentos tucuras, na Grotinha. Minha mãe já havia me adiantado que a Ciló, diretora-executiva do Comitê Organizador dos Festejos dos Noventa Anos da Dona Zizinha, abandonara a encomenda que havíamos feito ao Diomedes, que estava - ainda está - guardando um enxutinho para nós abatermos nas vésperas da festa, dia 30 agora. E eu que já estava lambendo os beiços, visualizando pernis, paletas e costelinhas do mais puro porco caipira sobre a mesa, com aquele bando de Tizziotti se revezando entre o copo e garfadas extemporâneas, daquelas de arrancar nacos, para desespero da muguegada. Olhei para o malhado hoje com ares de melancolia. Como presidente do Comitê, ainda não convoquei Ciló para depor no Conselho de Ética, mas suspeito que o recuo seja por questões financeiras. A despesa seria rachada em três, os três filhos da dona Zizinha - Zé Ficha, Ciló e João Luís. Sozinho, é difícil suportar a encomenda. Daqui a duas semanas, o tucura deve estar perto de seis arrobas. Noventa quilos. A seis pilas o quilo, em pé, a conta vai bater nos quinhentão. Talvez o Diô, na camaradagem, deixe por uns R$ 350, R$ 400. Morto e limpo. Ei, alguém aí se habilita a rachar essa conta comigo? Neste caso, a guloseima estaria aí em Londrina na primeira semana de setembro. Marquinho Feio? Poka Marques? Apolo Mário? Batata? Ricardinho? Estou imaginando aquelas partes todas no forno a lenha da Casa de Peroba Rosa... Meu, a linhagem do Diô vem de décadas. Caipira puríssimo. Diô chegou a cruzar a porcada dele com javali. Uma vez, em Maringá, eu e Walter Tele comemos uma costelinha na brasa, na Zona Cinco. Perguntem a ele o resultado.
sexta-feira, 7 de agosto de 2009
Pisei na bola: Barbosa é de 85/2

Foi em meio a uma pedra e outra cantada pela dona do boteco, num dos bingos mais disciplinados que já vi, ao lado do Bar do Gerson, na Rio Grande do Sul quase esquina com Rio Grande do Norte, onde, dizem, a dobradinha e o mocotó são de primeiríssima qualidade, a ponto de atrair exigentes como o jornalista Widson Schwartz, que o Armandinho, também jornalista, companheiro de duas décadas e meia, corrigiu uma informação que publiquei mais de uma vez por aqui. Sempre pensara que o prefeito de Londrina, Homero Barbosa Neto, tinha sido meu calouro - e disse isso inúmeras vezes por aí. Mas estava enganado. Barbosa, que é da mesma turma do Armando, o que transforma a informação em pedra 90, não entrou na UEL em 84/2, mas um ano depois, em 85/2.
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Embora todos que estavam na mesa - Samuka Lopes e, depois, também Nilson Herrero - falassem maravilhas das comidas do Gérson, acho que virarei mais freguês do boteco ao lado, o do bingo, cujo dono (ai, memória) faz um torresminho de parar o trânsito. Uma porção com cinco pedaços pequenos, aí de uns 10 centímetros quadrados, sai por doizão. Comi as duas sozinho, porque o Armando é muito devagar. Com comida à frente, eu não titubeio. Ademais, etiqueta nunca foi meu forte e não vai ser agora, depois dos 40, em boteco de vila, que vou me policiar. E, quando for me meter no binguinho novamente, vou procurar uma cartela sem o 49. Eta pedrinha lazarenta!
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O Samuka jurou de pé junto que lá no Bar do Gérson cruzou, há coisa de duas semanas, com Schwartz, Chico Amaro e Délio César. Na mesma noite. Puta que pariu. Só um encontro desse tipo já vale o ingresso. Schwartz, o Alemão, eu conhecia antes de entrar na faculdade e vir morar em Londrina, pelos créditos no Estadão - ele trabalhou para os Mesquita uma cara. Em Guará, na adolescência, já lia matérias dele. Meu pai assinou o Estadão por muitos anos. Chico e Délio são do primeiro time do JL, desse post aí embaixo. Chico foi o primeiro editor de Cidade e Délio nada menos que o mentor editorial e, por que não, empresarial do "Azulzinho". Papos agradabilíssimos. Espero ter mais sorte na próxima incursão ao Bar do Gérson.
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Voltar para Londrina está tendo aquele sabor especial de revisitar lugares - e, dentre eles, os bares, lógico, são ponto pacífico. O Jota, na João Cândido, continua o mesmo, tocado da mesma maneira, com o mesmo público - no que isso tem de bom e nem tanto. O Alcides, na praça do Aleijadinho, idem. Ótima opção para o happy hour, apesar dos vários pôsteres do Corinthians na parede esquerda. Mas poderia ser pior. Preciso rever o Vilão. O Valentino, não faço muita questão. O novo formato do bar, com fila para pegar cartão e entrar, não me atrai. Enfim, o fígado terá de me ajudar nessa questão. São muitos bares a serem revisitados nessa cidade cheia de bares. Aqui, a Duque de Caxias não é chamada de Duque de Cachaça à toa, mermão.